A imprensa italiana reagiu com críticas, nesta quarta-feira (22), à decisão do governo brasileiro de autorizar a permanência definitiva do ex-ativista Cesare Battisti no país.
Na manhã de hoje, o CNIg (Conselho Nacional de Imigração, órgão ligado ao Ministério do Trabalho, determinou que Battisti pode viver e trabalhar no Brasil. A medida, contudo, precisa ainda ser analisar pelo Ministério da Justiça e pela Polícia Federal.
Embora a imprensa do país europeu tenha reagido ao anúncio, o governo italiano não se manifestou. Antes, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que o ex-ativista deveria permanecer no Brasil, Roma afirmou que recorreria à Corte de Haia na tentativa de obter sua extradição.
O La Reppublica, um dos jornais mais importantes da Itália, lembrou que a decisão do CNIg ocorre duas semanas depois de a Suprema Corte brasileira rejeitar a extradição do italiano e autorizar sua imediata libertação.
Na reportagem, a publicação cita a informação de que Battisti tem um contrato com uma editora para escrever livros.
Já o canal de televisão RAI, que é estatal, ressaltou que Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos. A emissora destacou que a decisão sobre a concessão do visto só ocorreu depois de três horas de debates.
Em seu país, Battisti foi condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos no fim da década de 1970, época em que ele militava na organização PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), de extrema esquerda. Ele nega envolvimento com os crimes.
Após passar quatro anos preso, ele deixou no início do mês a Penitenciária da Papuda, em Brasília, beneficiado por uma decisão do Supremo.

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