Veja as imagens do cinegrafista da Bandeirantes antes de morrer:

Corpo de Gelson Domingos será enterrado nesta segunda-feira no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju

Foto: Arquivo pessoalRio - O patrulhamento está reforçado nesta segunda-feira na Favela de Antares, em Campo Grande, na Zona Oeste. Neste domingo, a comunidade foi palco de violento confronto armado, que culminou na morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Gelson Domingos da Silva, de 46 anos. A operação terminou na noite de domingo, com quatros bandidos mortos e nove presos.
Não houve tiroteio nesta madrugada. Homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope), do Batalhão de Choque e do 2º Comando de Policiamento de Área (2º CPA) ocupam a favela nesta segunda. O corpo do repórter cinematográfico será enterrado às 14h, no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária.
Foto: Arquivo pessoal
Atingido por um tiro de fuzil no tórax, Gelson foi levado à UPA do Cesarão, em Santa Cruz, mas já chegou morto. Apesar de pouco religioso e da vasta experiência em coberturas policiais, o cinegrafista rezou durante todo o percurso da emissora até chegar a Antares. Foi o que familiares contaram ter ouvido da equipe que o acompanhou na operação.
Nos anos 90, Gelson passou pela Record e pelo SBT. Há cerca de 10 anos, integrou a equipe da TV Brasil, e na emissora conquistou junto um Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, com o trabalho Pistolagem, sobre assassinatos no Nordeste do Brasil. Nos últimos dois meses, conciliava a estatal com a TV Band, no programa ‘Brasil Urgente Rio’.
Filho mais velho de seis irmãos, Gelson deixou três filhos — de 16, 20 e 22 anos —, dois netos e a mulher, Edilene Domingos, 40. “Ele era como um pai para nós. Sempre disposto a ajudar todo mundo”, conta o irmão Jair da Silva Domingues, 41.
Foto: Alexandre brum / Agência O Dia
Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
O Grupo Bandeirantes divulgou uma nota oficial, em que a emissora lamenta a morte do funcionário. “O Grupo Bandeirantes lamenta a morte do seu funcionário Gelson Domingos, de 46 anos, na manhã deste domingo”. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) também emitiu nota lamentando a morte.
A ação em Antares, em Santa Cruz
Cinco pessoas morreram, entre elas Gelson Domingos da Silva, na operação da PM na Favela de Antares. As outras quatro, segundo a polícia, eram traficantes. Atingido por um tiro de fuzil no tórax, o cinegrafista usava o único modelo de colete autorizado pelas Forças Armadas e que foi atravessado pelo projétil.
Apontado como gerente do tráfico da região, Renato José Soares, o BBC, e seu braço-direito no crime, Leandro Ferreira de Araújo, o China, foram presos. BBC também teria participação no tráfico de Manguinhos. Além deles, 15 pessoas foram detidas. À noite, só 8 continuavam presas e um menor, apreendido.
Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
A operação começou às 6h30, quando cerca de 100 policiais dos batalhões de Operações Especiais (Bope) e do Choque (BPChoque), com a Companhia de Cães, chegaram em 20 viaturas, motos e um ‘caveirão’, à Avenida Antares, um dos principais acessos à favela. O tiroteio durou cerca de uma hora. Sons de granadas e dos tiros podiam ser ouvidos a distância.
Reunião de bandidos
Através de nota, a PM informou que “o objetivo da ação era checar informações da Inteligência do Bope e do Choque de que líderes do tráfico fortemente armados se reuniam no local”. A Av. Antares fica entre as favelas de Antares e do Rola, dominadas pelo Comando Vermelho.
No confronto, PMs do Choque ficaram em alerta para a possibilidade de traficantes do Rola cruzarem a via para ajudar comparsas da outra favela. Eles fizeram blitzes na avenida revistando carros, motos e vans, além de moradores.
Foram apreendidos um fuzil AR 15, 3 pistolas, carregadores, 1kg de maconha, 522 pedras de crack, 100 papelotes de cocaína, 9 motos e R$ 3.154,00. O policiamento foi reforçado e as operações vão continuar. Em nota, a PM lamenta a morte de Gelson e manifesta solidariedade à família e a profissionais da mídia.
Vítima pode ter filmado criminoso
Antes de ser atingido, Gelson pode ter filmado o autor do disparo que o matou. Suas últimas imagens mostram a bala indo em direção ao cabo Gomes, que o protegia e se abaixou, batendo numa árvore e atingindo o cinegrafista. Gelson cai com a câmera ligada. As imagens serão analisadas pela Divisão de Homicídios.
O repórter Ernani Alves, que trabalhava com Gelson, foi ao hospital, mas não identificou nenhum dos mortos como o que matou Gelson. Segundo a polícia, os bandidos usaram técnica militar de tiro. Em uma hora, foram 4 tiroteios entre bandidos e policiais.
Presidência lamenta morte
A morte do cinegrafista Gelson Domingos comoveu a Presidência da República. Em comunicado, o órgão lamentou “o trágico episódio”. O governador Sérgio Cabral enviou mensagem de pesar ao diretor da Band Rio, Daruiz Paranhos.
A Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos (Arfoc), em nota, exigiu a prisão do autor do tiro e lamentou a morte do profissional. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio, em nota, se manifestou contrário à presença da imprensa em operações.
Veja as imagens do cinegrafista antes de morrer:

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