Após derrota p/ PM e BM, Cid opta pelo isolamento

O governador Cid Gomes mantém postura de não se pronunciar publicamente sobre a greve da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros

Desde a amarga negociação com a Polícia
Militar e com os Bombeiros por conta da greve mais impactante dos
últimos tempos - e que acabou gerando pânico na população cearense -, o
governador Cid Gomes (PSB) não aparece em público. Ele não compareceu à
posse do novo procurador-geral do Estado, Ricardo Machado, na última
semana, assim como não prestigiou o novo presidente do Tribunal de
Contas do Estado (TCE), Valdomiro Távora, que tomou posse na noite de
ontem.


Numa aparente demonstração de que pretende resguardar
sua imagem e não tratar publicamente do assunto, o governador tem
faltado importantes compromissos desde o início do ano. A ausência do
chefe do Executivo, que não se pronunciou sequer para tranquilizar a
população no momento mais crítico da greve, evidencia que este é o
momento mais difícil de sua gestão.


Ontem, secretários
tentaram minimizar a repercussão do movimento grevista no comportamento
do governador. Camilo Santana afirma que continua tudo normal no
Governo, mas não sabe o motivo de Cid Gomes não ter comparecido à
solenidade.


Presente na mesa de negociação, inclusive nos
momentos mais críticos, o secretário de Planejamento e Gestão, Eduardo
Diogo, destacou a serenidade e o comprometimento de Cid Gomes. “O
governador sempre esteve sereno, orientando a todos nós (secretários).
Esteve acompanhando desde o primeiro instante. Na noite do dia 30 a 31
(de dezembro), saímos do gabinete dele quase a 1 hora da manhã, e assim
se repetiu na noite do dia 2 para o dia 3”, disse.


Ao
articular a Força de Segurança Nacional e o Exército, conforme Eduardo
Diogo, o governador “atuou de modo muito eficaz, muito discreto”. Para
Diogo, cada gestor tem o seu perfil. “Tem pessoas que são mais voltadas a
arroubos temperamentais, mais voltadas a tirar qualquer tipo de
proveito da situação, ou a questões que podem ser mais demagógicas e
esse não é o estilo do governador Cid Gomes”, defendeu.


Na
opinião do secretário, foi o governador quem liderou as negociações e
fez tudo para recuperar a “pacificação” no Estado, e não “várias
pessoas, que às vezes ficam aí na mídia, tentando tirar qualquer
proveito da situação”. E continuou: “O governador Cid tem um estilo mais
discreto, mais voltado para a eficiência, não se importa que outras
pessoas levem o louro”.


Outras prioridadesPresidente
da Assembleia Legislativa do Estado, Roberto Cláudio (PSB) afirma que o
governador está cuidando de temas importantes ao estado do Ceará neste
momento. “A greve foi finalizada graças ao papel de negociação do
Executivo e há outras questões postas, inclusive da Polícia Civil, que
está merecendo dele e dos membros do Poder Executivo estadual integral
dedicação”, disse.




Importantes articuladores da gestão
cidista também não estiveram presentes na solenidade de ontem, como o
chefe de gabinete Ivo Gomes, chefe da Casa Civil, Arialdo Pinho, nem o
líder do Governo na Assembleia, deputado estadual Antônio Carlos (PT).


Quando


ENTENDA A NOTÍCIA


A
paralisação de militares durou seis dias, encerrando-se no dia 3 de
janeiro, quando chegou ao momento mais crítico. A população ficou em
pânico. Além das ocorrências, boatos sobre arrastões se espalharam pelo
Estado.




Lucinthya Gomes
lucinthya@opovo.com.br

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