Melhor amiga de Eloá e principal testemunha de acusação, Nayara complica vida do réu no julgamento dele

Nayara Rodrigues chega ao Fórum de Santo André para contar o que houve em 2008

A estudante Nayara Rodrigues da Silva, de 18 anos, que ficou ao lado de Eloá Pimentel até o momento em que ambas foram baleadas após 100 horas de cativeiro, confirmou nesta segunda-feira, em depoimento no Fórum de Santo André, no ABC, que os tiros foram disparados por Lindemberg Alves Fernandes antes de os policiais do Gate (Grupo de Ação e Tática Especiais) invadirem o apartamento.
“A Eloá estava deitada no sofá e eu no colchão. Lindemberg conversou com alguém no celular e, assim que desligou, arrastou a mesa da sala para trás da porta. No mesmo instante houve a explosão de uma bomba, que encheu o apartamento de fumaça, depois os tiros e a invasão”, contou. Ela, porém, não deixou claro que o autor dos disparos foi o ex-namorado de Eloá. “Na hora fiquei assustada, virei o rosto para o lado da porta e cobri a cabeça com o edredon”, disse.
Para o professor de direito Luiz Flávio Gomes, diretor da rede de ensino LFG, Nayara “confirmou que os tiros ocorreram antes da invasão, mas não viu quem disparou. Quando isso ficar claro, acabou o júri”, comentou.
Segundo ele, a advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, poderá tirar proveito dessa dúvida se souber explorar o assunto. Ela não acredita que o fato venha mudar a situação do acusado porque a promotora Daniela Hashimoto já adiantou ter em mãos laudos que comprovam a autoria dos tiros.
Nayara foi a primeira das cinco testemunhas arroladas pela acusação a ser ouvida nesta segunda, no primeiro dia de julgamento. O depoimento dela, um dos mais esperados, durou duas horas e dez minutos. A jovem mostrou-se bastante segura em suas declarações e não se contradisse em nenhum momento. Nayara se emocionou quando a juíza Milena Dias pediu para que relatasse o que aconteceu no cativeiro.
Segundo a estudante, Lindemberg demonstrou surpresa quando invadiu o apartamento da ex-namorada, no início da tarde de 13 de outubro de 2008, e encontrou outras pessoas no imóvel – além de Nayara, estavam na casa de Eloá mais  dois colegas de classe. Nayara contou que o rapaz levou todos para o quarto e deu um tapa em Eloá.
A jovem disse ainda que a amiga vinha reclamando do assédio de Lindemberg, depois que havia decidido não reatar o namoro, e que um mês antes da invasão ele  agrediu  Eloá. Segundo a testemunha, desde o início Lindemberg deixou claro que sua intenção era matar a ex-namorada.
Segundo o depoimento, após a liberação dos dois amigos, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira, Lindemberg  amarrou Eloá na sala e deitou-se com Nayara na cama de casal, com uma arma apontada para a barriga dela. A testemunha contou ainda que o rapaz queria que ela saísse do prédio porque queria ficar sozinho com Eloá.
“A Eloá sabia, desde o primeiro momento, que não ia sair viva de lá”, afirmou Nayara. Ela foi libertada por Lindemberg um dia antes do desfecho final, mas retornou horas depois, a pedido do rapaz. “Ele fez um acordo com os PMs para se entregar, mas pediu duas pessoas de confiança, que seriam eu e o irmão da Eloá, o Douglas. Mas na hora só eu pude entrar. Lindemberg não cumpriu o acordo”, finalizou Nayara.
Manobra põe mãe de Eloá na defesa do réu
A advogada de Lindemberg Alves Fernandes, Ana Lúcia Assad, surpreendeu nesta segunda ao convocar a mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, e o irmão mais novo da jovem, Douglas, como testemunhas. 
Eles vão substituir duas pessoas chamadas anteriormente  e  não apareceram no júri. No total, quatro dos 14 convocados pela defesa faltaram.
A mãe de Eloá substituiu uma jornalista e o irmão entrou no lugar do perito Nelson Gonçalves, que fez os laudos do caso pelo Instituto de Criminalística.  Por ter virado testemunha, Ana Cristina foi proibida de assistir ao julgamento, assim como o irmão de Eloá.
No final do primeiro dia de trabalho, a advogada tentou desclassificar o depoimento e Nayara, considerado bombástico por quem acompanha o júri. “A Nayara fantasiou, simulou choro.  Por ser vítima, não tem o compromisso de falar a verdade”, disse Ana Lúcia Assad .
Além de Nayara prestaram depoimento os dois amigos que também ficaram reféns e o sargento Atos Valeriano, que iniciou as negociações. Os trabalhos serão retomados nesta terça.

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